Espero que gostem. Eu gostei de mais de saber as novidades da Turma de um modo diferente e animado.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Monicalog
Já ouviram falar do Monicalog? É um videolog da Turma da Mônica criado por Jaum Godoy que está fazendo sucesso no Youtube e venho trazer aqui pra vocês.
Espero que gostem. Eu gostei de mais de saber as novidades da Turma de um modo diferente e animado.
Espero que gostem. Eu gostei de mais de saber as novidades da Turma de um modo diferente e animado.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Uma crônica para a vida
No site do Maurício de Sousa tem várias crônicas publicadas onde o mestre conta sobre sua vida e suas experiências. Quando descobri isso, resolvi devorá-las desde a primeira e me arrependo de não ter feito isso antes.
A crônica Sem dinheiro... no hotel mais caro do mundo é uma das minha preferidas e que me fez pensar sobre a vida depois de lê-la. Gostaria de compartilhar com vocês e levar um pouco desse pensamento para suas mentes:
Sem dinheiro... no hotel mais caro do mundo
Era tempo de festival de História em Quadrinhos em Lucca, na Itália. O mais importante do mundo e que reunia, a cada ano, os mais importantes desenhistas de cada país. O ano: 1971.
Para mim um festival memorável: voltei para o Brasil com dois prêmios: o gran Guinigi e o Yellow Kid (este último considerado o Oscar das HQ).
E lá estávamos nós, os desenhistas, reunidos para palestras, convenções, premiações e principalmente (naquela região da Toscana) para almoços e jantares monumentais, regados a vinho generoso. Mas a coisa não terminava aí. A Europa nos convidava para esticadas aos países mais próximos após a mostra. E eu aceitei a sugestão do meu colega Hugo Pratt (Corto Maltese) para visitá-lo em Veneza, onde ele tinha uma de suas casas.
Antes, como o clima do Festival estava uma beleza, antevia a premiação e tinha um tempinho para essa fugidinha para Veneza, liguei para o Brasil e convidei minha então esposa Vera Lucia, para "voar" para Lucca, a fim de ainda pegar o Festival pelo meio e depois irmos, juntos, para Veneza numa lua de mel tardia. Vera conseguiu chegar rapidinho, participou das festividades de premiação e arrumamos as malas para a esticada veneziana.
Só havia um problema naquele tempo: eu tinha o dinheiro contado para os poucos dias que vinham pela frente. Não podiamos nem pensar em errar na escolha de um mero restaurante. Tínhamos que economizar, mesmo!
Mas o outono era uma festa, o clima de lua de mel também.
Dinheiro era o menos importante... desde que tomássemos cuidado.
Chegamos a Veneza, por trem. Hugo nos esperava, com aquele seu corpanzil, sorriso simpático e jeitão todo diferente de falar.
Misturando italiano com português e espanhol para que Vera o compreendesse. Chamou uma lancha-táxi e disse que tinha reservado para nós um hotelzinho simpático e barato. Eu já havia lhe contado, em Lucca, do nosso problema de caixa. Ele nos acalmou, enquanto singrávamos pelos canais, abobados pelo espetáculo. Hugo dizia, enquanto admirávamos a cidade, que Veneza fôra feita para lua de mel. E a lancha embicou numa viela-canal ao lado de velhos prédios, próximo da Piazza San Marco.
Uma portinha quase despercebida surgiu rente à água, num paredão lateral de uma velhíssima construção. Hugo disse que era ali. Fez-nos descer da lancha num pequeno embarcadouro e nos encaminhou à entrada. Antes que pudéssemos falar mais coisas subiu na lancha e sumiu.
Tomamos o corredorzinho meio escuro e fomos em busca da recepção. A julgar pelo corredor velho e escuro, já estava até imaginando que o Hugo Pratt nos indicara um hotel inferior ao que eu pedira.
Mas a dúvida se desvaneceu quando deparamos com um enorme salão renascentista, coalhado de quadros e tapetes maravilhosos. A decoração era, no gênero, o que eu vira de mais sofisticado e magnificente. Era de cair o queixo. Vera e eu achamos que o Hugo se enganara ou estávamos no meio de um museu no caminho do tal hotelzinho. Mas tudo era muito estranho. Até encontrarmos, atrás de uma coluna, a recepção. Onde nos informaram da reserva feita em meu nome. Preenchemos as fichas e subimos para uma suite de cobertura que dava para o grande canal. Uma beleza de vista. Linda. E provavelmente muito cara. Vera estava encantada. E preocupada, como eu.
Como é que íamos pagar tudo aquilo?
Telefonei para o Hugo. E ele, às gargalhadas, disse que tinha planejado tudo aquilo, sim, porque achava que uma lua de mel merecia o melhor e mais caro hotel do mundo: o Danieli Excelsior.
E que eu economizasse no resto da viagem. Mas não nos três dias de Veneza.
Aceitei o argumento. Já que estávamos ali, o melhor era aproveitarmos.
O que fizemos.
Nos dias restantes, na volta via Paris tivemos que experimentar almoços e jantares de sanduíches e vinhos mais baratos. Mas sabe que também foi delicioso? Pudera: pão e salame franceses e mais vinho Boujolais, que era mais barato que água. O que mais queríamos para terminar a lua de mel temporã?
Mas todas essas aventuras tiveram um significado especial dentre as minhas lembranças de vida: uma semana depois de nossa chegada ao Brasil, Vera morreu num acidente de carro.
A crônica Sem dinheiro... no hotel mais caro do mundo é uma das minha preferidas e que me fez pensar sobre a vida depois de lê-la. Gostaria de compartilhar com vocês e levar um pouco desse pensamento para suas mentes:
Sem dinheiro... no hotel mais caro do mundo
Era tempo de festival de História em Quadrinhos em Lucca, na Itália. O mais importante do mundo e que reunia, a cada ano, os mais importantes desenhistas de cada país. O ano: 1971.
Para mim um festival memorável: voltei para o Brasil com dois prêmios: o gran Guinigi e o Yellow Kid (este último considerado o Oscar das HQ).
E lá estávamos nós, os desenhistas, reunidos para palestras, convenções, premiações e principalmente (naquela região da Toscana) para almoços e jantares monumentais, regados a vinho generoso. Mas a coisa não terminava aí. A Europa nos convidava para esticadas aos países mais próximos após a mostra. E eu aceitei a sugestão do meu colega Hugo Pratt (Corto Maltese) para visitá-lo em Veneza, onde ele tinha uma de suas casas.
Antes, como o clima do Festival estava uma beleza, antevia a premiação e tinha um tempinho para essa fugidinha para Veneza, liguei para o Brasil e convidei minha então esposa Vera Lucia, para "voar" para Lucca, a fim de ainda pegar o Festival pelo meio e depois irmos, juntos, para Veneza numa lua de mel tardia. Vera conseguiu chegar rapidinho, participou das festividades de premiação e arrumamos as malas para a esticada veneziana.
Só havia um problema naquele tempo: eu tinha o dinheiro contado para os poucos dias que vinham pela frente. Não podiamos nem pensar em errar na escolha de um mero restaurante. Tínhamos que economizar, mesmo!
Mas o outono era uma festa, o clima de lua de mel também.
Dinheiro era o menos importante... desde que tomássemos cuidado.
Chegamos a Veneza, por trem. Hugo nos esperava, com aquele seu corpanzil, sorriso simpático e jeitão todo diferente de falar.
Misturando italiano com português e espanhol para que Vera o compreendesse. Chamou uma lancha-táxi e disse que tinha reservado para nós um hotelzinho simpático e barato. Eu já havia lhe contado, em Lucca, do nosso problema de caixa. Ele nos acalmou, enquanto singrávamos pelos canais, abobados pelo espetáculo. Hugo dizia, enquanto admirávamos a cidade, que Veneza fôra feita para lua de mel. E a lancha embicou numa viela-canal ao lado de velhos prédios, próximo da Piazza San Marco.
Uma portinha quase despercebida surgiu rente à água, num paredão lateral de uma velhíssima construção. Hugo disse que era ali. Fez-nos descer da lancha num pequeno embarcadouro e nos encaminhou à entrada. Antes que pudéssemos falar mais coisas subiu na lancha e sumiu.
Tomamos o corredorzinho meio escuro e fomos em busca da recepção. A julgar pelo corredor velho e escuro, já estava até imaginando que o Hugo Pratt nos indicara um hotel inferior ao que eu pedira.
Mas a dúvida se desvaneceu quando deparamos com um enorme salão renascentista, coalhado de quadros e tapetes maravilhosos. A decoração era, no gênero, o que eu vira de mais sofisticado e magnificente. Era de cair o queixo. Vera e eu achamos que o Hugo se enganara ou estávamos no meio de um museu no caminho do tal hotelzinho. Mas tudo era muito estranho. Até encontrarmos, atrás de uma coluna, a recepção. Onde nos informaram da reserva feita em meu nome. Preenchemos as fichas e subimos para uma suite de cobertura que dava para o grande canal. Uma beleza de vista. Linda. E provavelmente muito cara. Vera estava encantada. E preocupada, como eu.
Como é que íamos pagar tudo aquilo?
Telefonei para o Hugo. E ele, às gargalhadas, disse que tinha planejado tudo aquilo, sim, porque achava que uma lua de mel merecia o melhor e mais caro hotel do mundo: o Danieli Excelsior.
E que eu economizasse no resto da viagem. Mas não nos três dias de Veneza.
Aceitei o argumento. Já que estávamos ali, o melhor era aproveitarmos.
O que fizemos.
Nos dias restantes, na volta via Paris tivemos que experimentar almoços e jantares de sanduíches e vinhos mais baratos. Mas sabe que também foi delicioso? Pudera: pão e salame franceses e mais vinho Boujolais, que era mais barato que água. O que mais queríamos para terminar a lua de mel temporã?
Mas todas essas aventuras tiveram um significado especial dentre as minhas lembranças de vida: uma semana depois de nossa chegada ao Brasil, Vera morreu num acidente de carro.
Maurício de Sousa
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Assinatura Turma da Mônica Jovem
Pra quem perdeu as primeiras edições da esgotada Turma da Mônica Jovem, a Panini está com uma promoção de assinatura onde você recebe além das 12 edições mensais, as 3 primeiras e dições e 6 edições do Volume Histórico que relança as primeiras revistas da Turminha clássica.
Não percam tempo porque não sei quanto vai durar.

Não percam tempo porque não sei quanto vai durar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Como anda a novíssima Turma da Mônica Jovem?
O começo da primeira edição serve somente para situar os leitores, novos e antigos, no mundo novo que iremos adentrar. De cara o baque: tudo preto e branco como as dezenas de mangás que invadiram as bancas nos últimos anos, mas isso não empobrece a leitura, por outro lado, enriquece de detalhes um universo cheio de descobertas.
Do meio da edição para frente é que a turminha mostra serviço. Uma história de fantasia que envolve os pais da garotada e uma lenda antiga. Só lendo pra entender e curtir de verdade. Deu que adorei a revista, ela é na medida certa tanto para a criançada nova antenada com o mundo quanto para os “adultos” que há muito não tinham contato com os personagens.
Numa análise crítica, as revistas pecam em alguns pontos, mas são poucos, não ofuscam a beleza e genialidade do novo trabalho. Já comprei as edições 2 e 3 e não agüento esperar para colocar minhas mãos na próxima edição. Se você também é do time dos ansiosos, fique com essas imagens abaixo e um gostinho da próxima edição:
Clique nas imagens para ampliar.
Fernando Silva
terça-feira, 4 de novembro de 2008
O título do blog
O título do blog foi baseado no título de um texto escrito por Rodrigo Brancatelli para o site d'O Estado de São Paulo. Segue abaixo o texto na íntegra e o link para o original.
Mauricio e seu mundo de nanquim
Rodrigo Brancatelli
Aos 72 anos, 10 filhos e 12 netos, ele acaba de criar mais 2 personagens
Com suas sobrancelhas arqueadas e os olhos naturalmente apertados, Mauricio de Sousa parece estar sempre sorrindo. Ele chega 30 minutos depois do combinado para a entrevista em seu escritório - um tanto apressado e um bocado atrasado para o próximo compromisso da agenda. É assim todo santo dia. Aos 72 anos, com 10 filhos, 12 netos e um bisneto, o desenhista trabalha mais de 12 horas diárias de segunda a sexta, às vezes aos sábados e domingos também. Nas madrugadas, ainda aproveita para mandar e-mails pelo seu celular modernoso. Cansativo? Que nada... Quanto mais trabalha, mais Mauricio parece que sorri com suas sobrancelhas em forma de acento circunflexo.
“É assim mesmo, não sei fazer de outra forma”, diz Mauricio, que nos dias anteriores já havia revisado roteiros de novas histórias em quadrinhos, conversado com um mundaréu de empresários, batido o martelo para animações para a televisão, ajudado na formatação do próximo filme da Turma da Mônica para o cinema e ainda inventado mais dois personagens, a garotinha Keika e o amigo Tikara, mascotes das comemorações do centenário da imigração japonesa. “Meu mundo é isto aqui, o papel , a caneta... Eu brinco que, se há algo nesse mundo que eu não tenha feito, eu simplesmente não me arrependo porque sei que ainda dá tempo de fazer.”
Para um repórter que cresceu rindo com os planos fracassados do Cebolinha e entrou pela primeira vez em uma cinema para ver a Turma da Mônica enfrentar o Lord Coelhão em A Princesa e o Robô, Mauricio é quase como um Monteiro Lobato dos quadrinhos. Suas criações de nanquim estão em quase 30 países, vendem 2,5 milhões de gibis por mês e têm cerca de 3 mil produtos licenciados, de adoçante e mochilas a parques de diversões.
Mas Mauricio parece nunca assumir uma posição de ícone, pelo contrário. Com os olhos brilhando, ele fala com uma paixão contagiante sobre os personagens, como se vivesse dentro de uma revistinha. E como se sua São Paulo fosse na verdade o bairro do Limoeiro - o local fictício onde moram suas criações.
“Mônica, Cascão, Cebolinha, Magali, eles todos são a minha família, são inspirados na minha vida, então eles são parte do que eu sou”, diz. “Eu visto o meu mundo com as cores do bairro do Limoeiro. Por isso não me importo tanto em trabalhar. E é por isso que não desanimo. Todo mundo fica falando em depressão, em tristeza, em problemas, essas coisas. Eu acho que tenho apenas 2 ou 3 minutos de depressão por ano. Aí eu curto esses momentos o máximo que posso, só para descobrir sobre o que as pessoas tanto falam.”
A linha entre a realidade e a ficção de fato é bem tênue no mundo de Mauricio. O personagem Titi, por exemplo, é na verdade uma caricatura de um sobrinho do desenhista. Bidu era o cachorrinho da família. Horácio é seu alter ego, sempre com mensagens filosóficas. Franjinha é o Carlinhos, outro sobrinho, que mora no Guarujá. Cebolinha e Cascão eram dois amigos do seu irmão. “O Cascão não tomava banho mesmo, e o Cebolinha falava errado e tinha o cabelo todo espetado”, conta. E, claro, a Mônica - garotinha baixinha, “golducha” e dentuça que apareceu pela primeira vez em 1963 em uma tirinha do Cebolinha (reproduzida acima) - é uma espécie de versão da sua filha que nunca saiu da infância.
“Quando era pequena eu até tinha dentes grandes, carregava um coelhinho amarelo, era um pouquinho brava”, assume a Mônica de verdade. Ela tem 47 anos, dois filhos e trabalha na empresa do pai cuidando da área de licenciamentos. Talvez traumatizada com a fama da xará “baixinha”, Mônica não revela a altura nem sob tortura - deve ter pouco mais de 1,60 metro. “Ela era bem brava mesmo, brigava com todo mundo”, retruca Mauricio, rindo. “E o cabelo dela parecia caminho de rato, porque a irmã pegava a tesoura e cortava tudo torto.”
Mônica foi a primeira, mas não a única da casa a virar desenho - Magali, Maria Cebolinha, Marina, Do Contra e Nimbus também são filhos-personagens. “Eu achava engraçado aparecer na revistinha. Meu pai sempre falou em casa que os personagens eram apenas inspirados na gente, que não era de verdade, até para não ficarmos metidos e arrogantes no colégio”, conta Mônica. “Ele diz até hoje que escolhia o nome dos filhos já pensando em algo forte, pra virar personagem. Na adolescência eu já não gostava tanto assim da idéia, foi difícil me desvencilhar da Mônica dos quadrinhos. Mas hoje os personagens são parte da família, são como irmãos.”
DICK TRACY DO JORNALISMO
Filho do poeta, escritor, pintor, radialista, compositor e barbeiro Antônio Mauricio de Sousa e da poetisa Petronilha Araújo de Sousa, Mauricio começou desenhando cartazes em Mogi das Cruzes, onde viveu até os 19 anos. “Mogi formatou minhas histórias. Eu pescava no rio, entrava e saía da casa dos vizinhos, brincava na rua...”, lembra. “Meu pai, em vez de proibir o gibi, chegava de noite do trabalho e jogava vários gibis na minha cama. Minha mãe também era incrível. Até o fim da sua vida, ela me dava uma mesada em dinheiro. E ai se eu não aceitasse... Era uma coisa bonita que sempre tivemos.”
Na cidade grande, Mauricio foi bater na porta do jornal Folha da Manhã para saber se havia vagas para cartunistas. Virou repórter policial. Trabalhou por cinco anos cobrindo crimes, assassinatos e brigas, sempre vestido de chapéu e sobretudo, igualzinho ao Dick Tracy. Mauricio ilustrava as reportagens com desenhos, que faziam um sucesso danado entre os leitores. “Uma hora tive que decidir entre o jornalismo e o desenho, minha paixão de verdade”, diz. “E foi nessa época que eu criei o Bidu e o Franjinha. Em 1959 saiu a primeira tirinha no jornal e daí para a frente eu abandonei a máquina de escrever e virei desenhista.”
Esse “daí para a frente” da história de Mauricio ficou impresso nos quadrinhos. Publicou tiras em dezenas de jornais, editou revistas, aumentou sua família de personagens, lançou filmes, criou o licenciamento mais poderoso do País, inaugurou parques de diversões... E não falta vontade para preencher mais páginas de histórias. Logo, Cebolinha ganhará um parque só seu em um shopping da cidade, uma revista para adolescentes será lançada e a Turma da Mônica ainda vai participar de um ambicioso processo de alfabetização de 180 milhões de... chineses. “Não paro de ter idéias, esse é o problema”, brinca. “Para mim, isso aqui não é trabalho. É a minha vida.”
Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/02/17/cid-1.93.3.20080217.10.1.xml
Mauricio e seu mundo de nanquim
Rodrigo Brancatelli
Aos 72 anos, 10 filhos e 12 netos, ele acaba de criar mais 2 personagens
Com suas sobrancelhas arqueadas e os olhos naturalmente apertados, Mauricio de Sousa parece estar sempre sorrindo. Ele chega 30 minutos depois do combinado para a entrevista em seu escritório - um tanto apressado e um bocado atrasado para o próximo compromisso da agenda. É assim todo santo dia. Aos 72 anos, com 10 filhos, 12 netos e um bisneto, o desenhista trabalha mais de 12 horas diárias de segunda a sexta, às vezes aos sábados e domingos também. Nas madrugadas, ainda aproveita para mandar e-mails pelo seu celular modernoso. Cansativo? Que nada... Quanto mais trabalha, mais Mauricio parece que sorri com suas sobrancelhas em forma de acento circunflexo.
“É assim mesmo, não sei fazer de outra forma”, diz Mauricio, que nos dias anteriores já havia revisado roteiros de novas histórias em quadrinhos, conversado com um mundaréu de empresários, batido o martelo para animações para a televisão, ajudado na formatação do próximo filme da Turma da Mônica para o cinema e ainda inventado mais dois personagens, a garotinha Keika e o amigo Tikara, mascotes das comemorações do centenário da imigração japonesa. “Meu mundo é isto aqui, o papel , a caneta... Eu brinco que, se há algo nesse mundo que eu não tenha feito, eu simplesmente não me arrependo porque sei que ainda dá tempo de fazer.”
Para um repórter que cresceu rindo com os planos fracassados do Cebolinha e entrou pela primeira vez em uma cinema para ver a Turma da Mônica enfrentar o Lord Coelhão em A Princesa e o Robô, Mauricio é quase como um Monteiro Lobato dos quadrinhos. Suas criações de nanquim estão em quase 30 países, vendem 2,5 milhões de gibis por mês e têm cerca de 3 mil produtos licenciados, de adoçante e mochilas a parques de diversões.
Mas Mauricio parece nunca assumir uma posição de ícone, pelo contrário. Com os olhos brilhando, ele fala com uma paixão contagiante sobre os personagens, como se vivesse dentro de uma revistinha. E como se sua São Paulo fosse na verdade o bairro do Limoeiro - o local fictício onde moram suas criações.
“Mônica, Cascão, Cebolinha, Magali, eles todos são a minha família, são inspirados na minha vida, então eles são parte do que eu sou”, diz. “Eu visto o meu mundo com as cores do bairro do Limoeiro. Por isso não me importo tanto em trabalhar. E é por isso que não desanimo. Todo mundo fica falando em depressão, em tristeza, em problemas, essas coisas. Eu acho que tenho apenas 2 ou 3 minutos de depressão por ano. Aí eu curto esses momentos o máximo que posso, só para descobrir sobre o que as pessoas tanto falam.”
A linha entre a realidade e a ficção de fato é bem tênue no mundo de Mauricio. O personagem Titi, por exemplo, é na verdade uma caricatura de um sobrinho do desenhista. Bidu era o cachorrinho da família. Horácio é seu alter ego, sempre com mensagens filosóficas. Franjinha é o Carlinhos, outro sobrinho, que mora no Guarujá. Cebolinha e Cascão eram dois amigos do seu irmão. “O Cascão não tomava banho mesmo, e o Cebolinha falava errado e tinha o cabelo todo espetado”, conta. E, claro, a Mônica - garotinha baixinha, “golducha” e dentuça que apareceu pela primeira vez em 1963 em uma tirinha do Cebolinha (reproduzida acima) - é uma espécie de versão da sua filha que nunca saiu da infância.
“Quando era pequena eu até tinha dentes grandes, carregava um coelhinho amarelo, era um pouquinho brava”, assume a Mônica de verdade. Ela tem 47 anos, dois filhos e trabalha na empresa do pai cuidando da área de licenciamentos. Talvez traumatizada com a fama da xará “baixinha”, Mônica não revela a altura nem sob tortura - deve ter pouco mais de 1,60 metro. “Ela era bem brava mesmo, brigava com todo mundo”, retruca Mauricio, rindo. “E o cabelo dela parecia caminho de rato, porque a irmã pegava a tesoura e cortava tudo torto.”
Mônica foi a primeira, mas não a única da casa a virar desenho - Magali, Maria Cebolinha, Marina, Do Contra e Nimbus também são filhos-personagens. “Eu achava engraçado aparecer na revistinha. Meu pai sempre falou em casa que os personagens eram apenas inspirados na gente, que não era de verdade, até para não ficarmos metidos e arrogantes no colégio”, conta Mônica. “Ele diz até hoje que escolhia o nome dos filhos já pensando em algo forte, pra virar personagem. Na adolescência eu já não gostava tanto assim da idéia, foi difícil me desvencilhar da Mônica dos quadrinhos. Mas hoje os personagens são parte da família, são como irmãos.”
DICK TRACY DO JORNALISMO
Filho do poeta, escritor, pintor, radialista, compositor e barbeiro Antônio Mauricio de Sousa e da poetisa Petronilha Araújo de Sousa, Mauricio começou desenhando cartazes em Mogi das Cruzes, onde viveu até os 19 anos. “Mogi formatou minhas histórias. Eu pescava no rio, entrava e saía da casa dos vizinhos, brincava na rua...”, lembra. “Meu pai, em vez de proibir o gibi, chegava de noite do trabalho e jogava vários gibis na minha cama. Minha mãe também era incrível. Até o fim da sua vida, ela me dava uma mesada em dinheiro. E ai se eu não aceitasse... Era uma coisa bonita que sempre tivemos.”
Na cidade grande, Mauricio foi bater na porta do jornal Folha da Manhã para saber se havia vagas para cartunistas. Virou repórter policial. Trabalhou por cinco anos cobrindo crimes, assassinatos e brigas, sempre vestido de chapéu e sobretudo, igualzinho ao Dick Tracy. Mauricio ilustrava as reportagens com desenhos, que faziam um sucesso danado entre os leitores. “Uma hora tive que decidir entre o jornalismo e o desenho, minha paixão de verdade”, diz. “E foi nessa época que eu criei o Bidu e o Franjinha. Em 1959 saiu a primeira tirinha no jornal e daí para a frente eu abandonei a máquina de escrever e virei desenhista.”
Esse “daí para a frente” da história de Mauricio ficou impresso nos quadrinhos. Publicou tiras em dezenas de jornais, editou revistas, aumentou sua família de personagens, lançou filmes, criou o licenciamento mais poderoso do País, inaugurou parques de diversões... E não falta vontade para preencher mais páginas de histórias. Logo, Cebolinha ganhará um parque só seu em um shopping da cidade, uma revista para adolescentes será lançada e a Turma da Mônica ainda vai participar de um ambicioso processo de alfabetização de 180 milhões de... chineses. “Não paro de ter idéias, esse é o problema”, brinca. “Para mim, isso aqui não é trabalho. É a minha vida.”
Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/02/17/cid-1.93.3.20080217.10.1.xml
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Onde estão os sonhos?
Quando éramos crianças, quase todas as noites nós sonhávamos. Lembrávamos claramente desses sonhos onde vivíamos super-heróis, fazíamos coisas que muitas vezes tínhamos visto em algum filme ou simplesmente sonhávamos com aquela garota da nossa sala por quem nos apaixonamos.
À medida que vamos crescendo, vêm os estudos, responsabilidades, maior número de vivências. Um mundo mais palpável, mais real, vai tomando conta do mundo dos sonhos como no filme da História sem Fim. Assim, deixamos de nos lembrar dos sonhos, dos super-heróis e de tomar o lugar no filme. A antiga paixão de escola dá lugar a um amor real e os filmes tomam temas mais sérios.
Crescendo mais ainda embarcamos no mundo dos negócios. Trabalho, contas a pagar, realidades mais duras, nenhum super-herói, filmes mais pesados e uma vida em casal, não sonhamos mais.
Apesar de todas essas etapas da vida, na última delas ainda é possível sonhar. Ainda é possível se lembrar dos bons tempos, das brincadeiras de rua, trocadas pela juventude de hoje por computadores e televisão, das histórias contadas e da família. Mas não sonhamos mais por nós mesmos. Precisamos de um empurrãozinho, de uma ajuda que nos faça lembrar de a vida não precisa ser usada, mas aproveitada.
Cresci lendo as histórias da Turma da Mônica escritas por um gênio das vivências e do sentimento, Maurício de Souza que criou uma tradição disfarçada passada na minha família que quase morreu.
Minha irmã, mais velha que eu, havia lido as histórias, os gibis ganhados de uma tia. Quando fiz 4 anos, me interessava por elas, aprendi a ler, lia até de cabeça pra baixo, e quando fiquei mais velho, lá pelos 8 ou 9 anos, fui presenteado por ela com uma assinatura das revistas. Lembro-me da felicidade a cada vez que os exemplares chegavam naquele pacotinho de plástico. Devorava todas em seguida. Largava o que estava fazendo para aproveitar essa viagem ao mundo dos sonhos.
Os anos passaram, a assinatura expirou, minha irmã se casou e eu caí na segunda fase da vida. Estudo e responsabilidades me tomaram o tempo e o contato que antes tinha com a turminha agora só acontecia quando ia ao médico e lá estavam elas, edições que o tempo tomado não me deixara ler, mas que por um momento de espera no consultório, eu voltava a sonhar.
Eu cresci para a terceira fase. Sou novo ainda e não sou casado, mas encontrei a minha princesa dos contos de fadas. Minha irmã, que tinha me apresentado a esse mundo alguns anos atrás, havia tido filhos. Minha sobrinha, já com 8 anos, devorava livros e histórias. Foi então que me lembrei daqueles sonhos, daquela aventuras que vivi com a turminha do bairro do Limoeiro. Então compartilhei desse mundo com ela, presenteei com uma assinatura e assim ela se fez sonhar como eu havia feito um dia...
...........................................
Quis expressar neste texto um pouco do sentimento que me fez criar este blog. Uma homenagem ao criador dessa turminha. Àquele que nos apresentou um mundo de sonhos singelo, porém verdadeiro e carregado de sentimento.
Vida longa ao mestre dos sonhos Maurício de Souza.
À medida que vamos crescendo, vêm os estudos, responsabilidades, maior número de vivências. Um mundo mais palpável, mais real, vai tomando conta do mundo dos sonhos como no filme da História sem Fim. Assim, deixamos de nos lembrar dos sonhos, dos super-heróis e de tomar o lugar no filme. A antiga paixão de escola dá lugar a um amor real e os filmes tomam temas mais sérios.
Crescendo mais ainda embarcamos no mundo dos negócios. Trabalho, contas a pagar, realidades mais duras, nenhum super-herói, filmes mais pesados e uma vida em casal, não sonhamos mais.
Apesar de todas essas etapas da vida, na última delas ainda é possível sonhar. Ainda é possível se lembrar dos bons tempos, das brincadeiras de rua, trocadas pela juventude de hoje por computadores e televisão, das histórias contadas e da família. Mas não sonhamos mais por nós mesmos. Precisamos de um empurrãozinho, de uma ajuda que nos faça lembrar de a vida não precisa ser usada, mas aproveitada.
Cresci lendo as histórias da Turma da Mônica escritas por um gênio das vivências e do sentimento, Maurício de Souza que criou uma tradição disfarçada passada na minha família que quase morreu.
Minha irmã, mais velha que eu, havia lido as histórias, os gibis ganhados de uma tia. Quando fiz 4 anos, me interessava por elas, aprendi a ler, lia até de cabeça pra baixo, e quando fiquei mais velho, lá pelos 8 ou 9 anos, fui presenteado por ela com uma assinatura das revistas. Lembro-me da felicidade a cada vez que os exemplares chegavam naquele pacotinho de plástico. Devorava todas em seguida. Largava o que estava fazendo para aproveitar essa viagem ao mundo dos sonhos.
Os anos passaram, a assinatura expirou, minha irmã se casou e eu caí na segunda fase da vida. Estudo e responsabilidades me tomaram o tempo e o contato que antes tinha com a turminha agora só acontecia quando ia ao médico e lá estavam elas, edições que o tempo tomado não me deixara ler, mas que por um momento de espera no consultório, eu voltava a sonhar.
Eu cresci para a terceira fase. Sou novo ainda e não sou casado, mas encontrei a minha princesa dos contos de fadas. Minha irmã, que tinha me apresentado a esse mundo alguns anos atrás, havia tido filhos. Minha sobrinha, já com 8 anos, devorava livros e histórias. Foi então que me lembrei daqueles sonhos, daquela aventuras que vivi com a turminha do bairro do Limoeiro. Então compartilhei desse mundo com ela, presenteei com uma assinatura e assim ela se fez sonhar como eu havia feito um dia...
...........................................
Quis expressar neste texto um pouco do sentimento que me fez criar este blog. Uma homenagem ao criador dessa turminha. Àquele que nos apresentou um mundo de sonhos singelo, porém verdadeiro e carregado de sentimento.
Vida longa ao mestre dos sonhos Maurício de Souza.
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